Unknown Track - Unknown Artist
00:00 / 00:00

Prevenção primária de doença cardiovascular

As doenças cardiovasculares são a segunda principal causa de morte no Brasil, afetando principalmente pessoas acima de 50 anos.

A prevenção primária tem por objetivo evitar o aparecimento do primeiro episódio de doença cardiovascular em todos os indivíduos sem doença conhecida incluindo os pacientes diabéticos. O risco de desenvolver um evento cardiovascular pode ser calculado a partir da identificação dos fatores de risco, sejam estes não modificáveis como a idade e o sexo ou modificáveis como tabagismo, pressão arterial elevada, colesterol elevado ou diabetes, podendo ser reduzidos através de mudança do estilo de vida, dos hábitos alimentares, atividade física e uso de medicamentos.

A prevenção está recomendada pelo menos a cada 5 anos de maneira criteriosa a partir dos 18 anos de idade e de forma abrangente a partir dos 35 anos de idade para o sexo masculino e 45 anos para o sexo feminino e até completar os 74 anos de idade para ambos sexos.

A primeira fase da avaliação consiste em determinar a presença de doença ateroesclerótica significativa ou de seus equivalentes, tais como a presença de diabetes mellitus tipos 1 ou 2 ou de doença renal crônica significativa. Indivíduos assim identificados possuem risco superior a 20% em 10 anos de apresentar novos eventos cardiovasculares ou de um primeiro evento cardiovascular. Os pacientes que se enquadrarem nesta categoria não requerem outras etapas de estratificação de risco, sendo considerados tacitamente de alto risco devendo receber intervenções de prevenção secundária.

A doença ateroesclerótica significativa é caracterizada pela presença de manifestações clínicas de doença arterial coronária (síndrome coronariana aguda, angina de peito), cerebrovascular (acidente vascular cerebral, ataque isquêmico transitório), doença aneurismática da aorta ou doença arterial obstrutiva periférica (claudicação intermitente, sopro carotídeo), assim como ainda na forma subclínica documentada por metodologia diagnóstica ou procedimentos de revascularização arterial (revascularização miocárdica, endarterectomia prévia, correção de aneurisma, revascularização arterial periférica).

A segunda fase está indicada para os demais indivíduos através do uso dos escores de risco e algoritmos baseados em análises de regressão de estudos populacionais, por meio dos quais a identificação do risco global é aprimorada substancialmente. Entre os algoritmos existentes, os mais utilizados são o Escore de Risco de Framingham (ATP-III), o Escore de Risco de Reynolds, o Escore de Risco Global, o Risco pelo Tempo de Vida e o Escore de Risco ASCVD da ACC/AHA. Em pessoas com diabetes, recomenda-se que o risco cardiovascular seja estimado usando a calculadora do UKPDS. Considera-se alto risco cardiovascular um risco de 20% ou mais estimado pelo Framingham ou UKPDS, risco intermediário entre 10 a 20% e baixo risco abaixo de 10%.

A terceira fase consiste em determinar os fatores agravantes e os critérios de síndrome metabólica nos indivíduos estratificados como risco intermediário, sendo que quando presentes reclassificam o indivíduo para a condição de alto risco.

Os fatores agravantes de risco são a presença de história familiar de doença arterial coronária prematura (parente de primeiro grau masculino < 55 anos ou feminino < 65 anos), critérios de síndrome metabólica, microalbuminúria (30-300 mg) ou macroalbuminúria (> 300 mg), hipertrofia ventricular esquerda, proteína C reativa de alta sensibilidade > 3 mg/L e evidência de doença arterial subclínica através da presença de estenose ou espessamento médio intimal da carótida > 1 mm, escore de cálcio coronário > 100 ou > percentil 75 para idade ou sexo ou presença de índice tornozelo braquial (ITB) < 0,9  .

O diagnóstico de síndrome metabólica requer a presença de obesidade abdominal como condição essencial e dois ou mais dos seguintes critérios: triglicérides aumentados, HDL-colesterol baixo, pressão arterial elevada e glicemia aumentada. 

Finalmente, uma vez identificado o perfil de risco do individuo, a prevenção primária visa determinar as intervenções de baixa, média ou alta intensidade como mudanças do estilo de vida, orientações para uma alimentação saudável, dieta cardioprotetora, atividade física, controle do peso, consumo de álcool, cessação do tabagismo e necessidade de uso de medicamentos.