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Hipertensão arterial sistêmica

Hipertensão é um importante fator de risco modificável para doença cardiovascular que pode, se não tratada, resultar em séria morbidade e mortalidade por doença cardíaca, vascular encefálica, vascular periférica e renal. O potencial de morte e incapacidade é, portanto, bastante alto e representa uma séria questão de saúde pública. Uma vez que o diagnóstico de hipertensão seja feito e instituída a terapia, a pressão arterial elevada pode ser diminuída, reduzindo o risco de doença cardiovascular na maioria dos pacientes. Grandes experiências de anti-hipertensivos, em grandes populações, demonstraram concludentemente que existe uma relação continua direta entre o nível de pressão arterial e morbidade e mortalidade cardiovascular. Estes estudos mostraram que tratar todos os níveis de hipertensão diminui significativamente o acidente vascular encefálico (AVE) fatal e não fatal, eventos coronarianos, insuficiência cardíaca, doença renal crônica e insuficiência renal. A ampla variedade de agentes anti-hipertensivos é muito efetiva em reduzir a pressão arterial. Apesar de reduções semelhantes na pressão arterial e na mortalidade global, as reduções na incidência de AVE, eventos isquêmicos coronarianos, insuficiência cárdica e insuficiência renal não são as mesmas com todas as classes de agentes anti-hipertensivos. As razões para estas diferenças não foram totalmente explicadas e constituem tópico de muita especulação. Um volume crescente de evidencia direta e inferencial sugere que a redução da pressão arterial não deve ser o único objetivo de terapia anti-hipetensiva. A terapia deve também ser dirigida para o controle de todos os fatores de risco cardiovascular modificáveis do paciente, incluindo dislipidemia, fumo, obesidade, inatividade física, microalbuminúria e diabetes melito.

Até recentemente, pressão arterial alta era sinônimo de hipertensão; agora, no entanto, os dados sugerem que a hipertensão é consideravelmente mais do que pressão arterial aumentada. Diversas anormalidades metabólicas e funcionais já foram observadas nos filhos de pacientes hipertensos antes da elevação da pressão arterial. Hipertensão também  é associada a resistência à insulina e intolerância à glicose. Os níveis de insulina são constantemente mais altos em pacientes hipertensos. Hiperinsulinemia é piorada por diuréticos tiazidicos, especialmente na presença de terapia betabloqueadora e produz uma proliferação de musculo liso vascular e tecido fibroso e afeta adversamente o perfil dos lipídios séricos. As concentrações de renina e angiotensina também são fatores importantes em determinar a resposta a terapia e prognóstico. Os pacientes hipertensos com altos índices de renina tem uma incidência maior de infarto do miocárdio que pacientes semelhantes com níveis mais baixos. Adultos jovens normotensos com historia familiar de hipertensão demonstraram ter paredes ventriculares esquerdas mais grossas e alterações do enchimento diastólico em comparação com indivíduos controles. Hipertensão, portanto, é um transtorno multissistêmico com comprometimento dos sistemas cardiovascular, neuroendócrino e renal com um forte componente genético.

                                                                                                                                            William F. Graettinger, MD, FACC, FACP,FCCP